
Estamos iniciando um novo ano! Que 2005 seja o momento certo para que mais e mais pessoas participem da grande corrente pela Paz. Hoje são muitos os grupos, comunidades e instituições que, por este mundo afora, trabalham por este despertar.
O despertar é individual, mas o trabalho é conjunto! O CCA vem fazendo a sua parte. Nestes últimos dois meses tivemos aqui em São Paulo a presença da nossa querida amiga Maria Cristina Uhart, realizando dois maravilhosos workshops, um aqui e outro em Santos.

Também no final de novembro houve a formatura de mais um grupo de facilitadores do CCA. Agora em janeiro, no dia 10, estaremos iniciando o curso para formação da 3a turma de facilitadores da cura das atitudes na WHH - Willis Harman House.
Em São Paulo, além dos grupos do CCA que temos em funcionamento no Hospital do Servidor, iniciamos um novo grupo com o propósito de estudar o Um Curso Em Milagres, também na WHH. Após um pequeno intervalo, devido às festas de final de ano, reiniciaremos as reuniões no dia 11 de janeiro.
A Paz é um presente que só recebemos quando reaprendemos a nos disponibilizar para ela. Ela surge de dentro de nós quando a praticamos, quando nos dispomos a compartilha-la com os outros. Que 2005 seja o ano desta nossa disponibilidade.
Felicidades e perseverança a todos nós,
Cláudio Bidóia - São Paulo - SP
Amar mais é um bom conselho e tenho procurado seguí-lo na minha vida, mas o que significa exatamente amar mais? O conceito do amor tem sido tão distorcido através dos tempos que podemos ficar confusos, principalmente no mundo atual que estamos vivendo.
Amar mais não tem nada a ver com o nosso comportamento. Muita gente pensa que amar mais é falar com voz suave, é ser gentil, é ser simpático, é ser agradável, mas o mundo já está cheio de pessoas agradáveis. O pior é que muitas dessas pessoas agradáveis também são capazes de fazer e falar coisas muito desagradáveis e podem carregar muitas neuroses escondidas lá por dentro. O que adianta ter uma voz suave e um comportamento gentil, se lá por dentro estivermos cheios de raivas e de frustrações?
O que adianta tratar bem a uma pessoa se lá por dentro estivermos cheios de preconceitos? O que adianta ser gentil se, por trás, falarmos mal das próprias pessoas a quem tratamos bem?
Para amar mais de verdade, precisamos começar a nos observar, precisamos começar a nos conhecer melhor. Precisamos começar a notar que, de fato, temos um "eu" superficial e um "eu" profundo. O "eu" superficial é o ego e o "eu" profundo é a nossa essência verdadeira. Precisamos lembrar que o ego sempre fala primeiro e mais alto. Vocês já repararam como a gente tem necessidade de responder ao que outra pessoa está falando, antes mesmo que ela termine de falar? Essa é uma das versões do ego, ou querendo se exibir, ou querendo atacar, ou se defender. A nossa primeira reação sempre vem do ego e o pior é que ficamos tão acostumados com isso que a nossa verdadeira essência vai ficando cada vez mais abafada. Mas o ego também se manifesta primeiro nas pessoas muito quietas, aquelas que nunca dizem nada porque se sentem intimidadas ou inseguras. Essa é uma outra versão do ego. A sobrevivência do ego está sempre baseada no medo. Eu sei disso porque passei de tímida a segura de mim mesma, ou seja, passei de um extremo a outro sem deixar de atuar no nível do ego, sempre me preocupando com o que as pessoas pensavam de mim, antes de começar a me conhecer melhor.
Para amar de verdade, primeiro precisamos encontrar a nossa verdadeira essência e deixar que ela floresça dentro de nós. Precisamos aprender a ouvir com o coração, a ver com o coração, a sentir com o coração e não só com a cabeça. Só assim vamos conseguir realmente escutar o que os outros tem a dizer, só assim vamos conseguir entender o nosso próprio sofrimento e o sofrimento dos outros. Só assim vamos poder sentir compaixão pelo próximo e poder apreciar o verdadeiro sentido do perdão e o alívio que ele pode nos trazer. Quando percebemos que estavamos aprisionados pelo ego, começamos a perceber que os outros também estão. Percebemos que eles não sabem o que estão fazendo, do mesmo jeito que a gente não sabia e, só assim vamos conseguir perdoar pessoas que antes pareciam impossíveis de ser perdoadas. É o mesmo que descobrir um mundo completamente novo dentro de nós mesmos, é uma revelação magnífica e esplendorosa. Quando a gente começa a perder o impulso de responder imediatamente, ou perder o medo de falar a nossa verdade, é um sinal de que o "eu" superficial está começando a dar espaço para o "eu" verdadeiro se manifestar.
Ouví um exemplo outro dia, de como lidar com crianças obesas. Essas crianças podem comer um pote de sorvete de uma vez só, então deve-se fazer duas perguntas a elas, com relação à vontade de tomar sorvete. Primeiro pergunta-se: "O que você quer?" A primeira resposta é que ela quer comer o pote inteiro de sorvete, mas aí pergunta-se de novo: "O que você realmente quer?' A segunda resposta é que ela quer um pouco de sorvete.
Nós também precisamos aprender a seguir a nossa verdadeira vontade em relação a tudo, que também vem a ser a segunda. O ego sempre esteve livre, solto e acostumado a se manifestar primeiro, porque muitos de nós nem ao menos sabíamos que tinhamos uma verdadeira essência reprimida lá dentro. Em alguns casos, precisamos observar as palavras, ou gestos, que vem à tona com muita rapidez, em outros casos, precisamos observar o medo de se expressar que vem à tona com muita rapidez e começar a deixar a verdade fluir de dentro de nós. O ego se manifesta de muitas formas e a gente só vai começar a perceber os seus truques quando passar a observar constantemente o que está acontecendo dentro de nós mesmos. Vamos começar a descobrir o motivo de nossos receios, de nossas preguiças, de nossos medos mais escondidos e essa revelação interior vai começar a produzir milagres em nossas reações. Vamos começar a ser mais espontaneos, mais leves, mais alegres, ou seja, tudo que Deus quer que sejamos.
Deus não quer que façamos sacrifícios. Nós só fazemos sacrifícios quando fingimos que estamos amando, quando estamos agindo racionalmente, usando de artimanhas e manipulações para conseguir o que queremos. O ego tem essa mania de pensar que o amor é válido e útil, porque assim vamos conseguir o que queremos. Temos sido ensinados a controlar o nosso temperamento e as nossas reações porque temos que ser civilizados e eu não estou dizendo que isso está errado. O que estou dizendo é que aprendemos todas essas coisas no nível do ego, mas como o ego quer sempre levar vantagem, a nossa vida acaba virando um sacrifício, porque temos que acabar fazendo e falando coisas que realmente não concordamos. O relacionamento entre as pessoas acaba virando um desastre, não é verdade?
O sacrifício acaba quando o eu verdadeiro começa a vir à tona, porque começamos a renunciar a coisas que não vão nos fazer nenhuma falta, como a raiva, o medo, as frustrações, etc. Ao passo que o ego concorda em renunciar de algumas coisas por puro interesse, mas chega uma hora que a farsa vem à tona e a gente acaba se revelando. O ego quer sempre vencer, ao passo que o eu verdadeiro quer sempre encontrar uma solução onde todos possam sair ganhando. Nós vivemos num mundo dominado pelo ego, porisso existem guerras, miséria e todos os males. Mas do mesmo jeito que os seres humanos são a causa dos problemas, também somos a solução.
A partir do momento que começamos a perceber que o bem e o mal estão dentro de nós mesmos, podemos começar a fazer escolhas diferentes. Outro exemplo interessante que escutei outro dia é que nos filmes o "mal" sempre aparece vestido de preto, em forma de monstro, ou coisa parecida. Nós ficamos com a impressão de que o mal é sempre feio ou evidente demais e nunca paramos para pensar que o mal pode estar em nós. Não, nós somos ótimas pessoas, trabalhadoras, religiosas, o problema está "nos outros", eles é que estão errados. O ego quer nos fazer acreditar que somos separados uns dos outros, mas nós somos todos unidos e se somos unidos temos que reconhecer que o problema que existe nos outros também existe em nós. Pode ser em grau menor ou maior, mas está presente em todo mundo. Então, a cura tem que partir de cada indivíduo, mas a vantagem é que essa cura é "contagiosa", no sentido de que vai se espalhando, até curar a humanidade inteira.
Só que nós somos tão teimosos que acabamos sendo levados na conversa do ego muitas vezes e acabamos cometendo o mesmo erro inúmeras vezes, até chegar a situações desesperadoras.
Mas não é verdade que em momentos dificílimos a gente parece encontrar uma força desconhecida que nos faz capazes de superar a situação? Essa força é a parte de Deus que está dentro de todos nós, que nos faz crescer e ser esplendorosos. Ela está sempre presente e não precisamos chegar a situações desesperadoras para encontrá-la, mas como a força do ego tem sido muito grande em nossas vidas, isso geralmente acaba acontecendo. Se estivermos conscientes de que demos de cara com a parte de Deus que está dentro de nós, vamos ficar agradecidos e passar a escolhê-la com mais frequência, mas, infelizmente, muitas vezes as pessoas saem de situações desesperadoras sem ter consciência do que aconteceu dentro delas. E, uma vez passado o sufoco, podem voltar ao mesmo padrão de comportamento anterior e acabar se colocando em situações desastrosas de novo. Porisso é importante nos conhecer melhor e ter consciência do que se passa dentro de nós. Só assim poderemos ser confiáveis, amadurecidos e felizes.
É nesse sentido que devemos amar mais. Amar mais significa ir deixando de ser parte do problema e começar a ser parte da solução. Amar mais é purificar a nossa forma de pensar e ajudar a purificar a forma de pensar daqueles que nos rodeiam.
Os problemas do mundo são apenas sintomas e precisamos tratar a causa deles. Isso significa que temos que tratar de nós mesmos.
Para mim o amor é sinônimo de paz e de liberdade interior. Acho que a gente só consegue amar de verdade quando consegue perdoar (inclusive a si mesmo), quando consegue fazer novas escolhas, quando consegue deixar de querer controlar os outros.
Amar é conseguir encontrar uma solução onde todos os envolvidos possam sair ganhando, porque isso traz a percepção correta de que somos unidos e não separados uns dos outros.
Amar é desistir constantemente das nossas idéias pre-estabelecidas de como as coisas deveriam ser.
Amar é ser feliz, ao invés de ter necessidade de estar sempre com a razão.
Amar é proporcionar um espaço seguro para os seres amados, ao invés de querer controlá-los.
O amor verdadeiro vem de dentro, do coração. Devemos orar para ser curados da necessidade que temos de impor a nossa vontade sobre os outros.
Vamos amar mais?
Cláudia Martinez - Filadélfia - EUAOutro dia, folheando o UCEM, caí na página 479 do Livro de Exercícios, que fala sobre o julgamento final. Essa história de julgamento final é assustadora e, de maneira geral, vivemos com dúvidas a respeito desse assunto porque sabemos que o nosso comportamento não é exemplar o tempo todo. Então, sem entender direito do que se trata, um medinho do julgamento final acaba sendo uma constante na nossa vida, até que decidamos nos informar melhor a respeito do assunto. O UCEM é uma grande ajuda!
Segundo o UCEM, o julgamento final não é uma condenação do mundo e das pessoas ao inferno e sim "a dádiva da correção que Ele concedeu a todos os nossos erros, libertando-nos deles e de todos os efeitos que algum dia pareceram ter."
O UCEM pode aliviar a vida de quem começa a perceber a presença do ego e da sua convivência difícil, porque começamos a entender melhor o que se passa dentro de nós e assim temos mais chances de ver que precisamos mesmo de correção. Conforme vamos nos aprofundando na leitura e no conhecimento de nós mesmos, vamos percebendo que erros antes cometidos constantemente passam a acontecer com menos frequência. Os progressos podem ser lentos mas vão acontecendo, dependendo do grau de compromisso que assumimos com a Verdade.
Nessa página do UCEM está escrito que "a segunda vinda de Cristo dá ao filho de Deus essa dádiva: ouvir a Voz por Deus proclamar que aquilo que é falso é falso e o que é verdadeiro jamais mudou."
Quando aceitamos o fato de que o que é verdadeiro jamais mudou, começamos a perceber que se estivessemos vivendo a partir da nossa verdadeira identidade, o nosso mundo físico seria completamente diferente. Mas como temos vivido a partir de uma identidade falsa, chegamos à conclusão que o mundo físico que vivemos não é o mundo real, mas sim o mundo do ego projetado pela humanidade. Não dá para esperar perfeição de pessoas que vivem e projetam as ilusões do ego no mundo, sem nem ao menos saber que é isso que estão fazendo. É muito importante entender a origem e o sistema de pensamento do ego e é especialmente importante entender o conceito da projeção, porque isso nos ajuda a perceber que o mundo físico é o resultado do sistema de pensamento do ego da humanidade.
Ao mesmo tempo, é muito importante olhar a si mesmo e ao ego sem culpa e sem julgamento, sem precisar se xingar por causa disso. Vamos ver que, a partir do ponto de vista do ego, não poderiamos ter agido de maneira diferente. Só temos sido insanos como todo mundo e porisso temos tomado decisões dolorosas. Nem é preciso pensar em como as nossas decisões tem sido dolorosas para os outros, basta perceber o quão dolorosas elas tem sido para nós mesmos. Quando percebemos que temos sido iludidos, que isso está acontecendo com todo mundo e que essa ilusão tem sido projetada lá fora, concluimos que o mundo só poderia mesmo ter tomado a forma que tomou. Mas, sem um exame interno, sem perceber que nós também fazemos parte do processo, temos a tendência de olhar para fora e culpar só os outros pelos absurdos que estão acontecendo, pelas barbaridades que tem sido cometidas, etc. Em graus diferentes, todos nós fazemos parte do problema, até que tomemos a decisão de acordar e começar a fazer parte da solução. Deus tem esperado pacientemente por esse momento.
Mesmo os que já não se sentem mais tão ignorantes a respeito das projeções do ego, ainda notam a sua tirania e ainda fazem escolhas equivocadas. Pode parecer incrível que muitas vezes a gente ainda prefira continuar errando do que aceitar a graça da salvação divina, mas esse é o poder do ego sobre nós. Estamos tão acostumados com o nosso padrão de comportamento e com o sistema de pensamento equivocado do ego, que acabamos nos identificando com ele. É difícil abrir mão dessa identidade, ainda que seja falsa, porque parece que não existe nada mais. Mas existe e, no fundo, todos sabemos que existe.
Precisamos continuar trabalhando internamente, abrindo espaço para que Deus possa ir corrigindo os nossos erros e que, aos poucos, possamos dar preferência "à liberação do sofrimento, à volta à paz, à segurança e à união com a nossa verdadeira Identidade", ao invés de temê-la.
"O julgamento final de Deus é tão misericordioso quanto cada passo no plano que Ele designou para abençoar o Seu Filho e chamá-lo de volta à paz eterna que compartilha com ele. Não tenhas medo do Amor. Pois só ele pode curar toda a tristeza, enxugar todas as lágrimas e despertar gentilmente do seu sonho de dor o Filho que Deus reconhece como Seu. Não tenhas medo disso. A salvação pede que lhe dês as boas vindas. E o mundo aguarda que aceites isso com contentamento, pois isso o libertará." - LE.ParteII.10.4
Cláudia Martinez - Filadélfia - EUA

A primeira parte desse livro expressa a convicção inimitável da autora na revolução espiritual coletiva que se encontra à mão. Ela diz com energia e urgência que devemos substituir a ordem antiga e opressora, não só nos aspectos sociais ou políticos, mas dentro da nossa própria mente, onde uma ordem original sempre existiu e funciona muito melhor.
Neste livro somos relembrados de que o propósito da oração não é obter a realização de nossos desejos, nem o alívio de problemas persistentes, nem mesmo resultados que possamos discernir como satisfatórios. O propósito da oração é experienciar a Deus. Com essa finalidade, Marianne Williamson oferece sete seções distintas, fazendo desse livro tanto um texto inspirador quanto prático.
Trata-se de uma coletânea de reflexões, orações e propostas de ritos relativos a problemas existenciais da humanidade. Illuminata oferece momentos de serenidade e de visita ao mundo interior, buscando o coração como Luz do mundo (não o cérebro).
Cláudia Martinez - Filadélfia - EUA
Fiquei encantada com os dois filmes (acho que posso chamar de filmes) Shrek 1 e 2 e comendo.
Não só mostra uma doçura comovente como nos faz pensar profundamente na “ACEITAÇÃO”
Ao contrário dos contos de fadas em que a linda princesa fica com um príncipe maravilhoso e bonito no final, “Shrek” mostra a beleza do relacionamento e a expressão do Amor através de um casal principal formado por um Ogro (feio) e uma princesa que é bonita fisicamente mas nos surpreende fazendo uma escolha do amor e muda essa imagem no final.
Outra deliciosa surpresa é que Shrek 2 é tão bom ou mehor (depende da opinião de cada um) do que o primeiro. Mais uma vez o foco nos traz a desvalorização do “padrão” beleza para a expressão dos sentimentos mais verdadeiros tais como: Pureza, Amizade, União e principalmente AMOR.
Não deixem de assistir, vale a pena !
Rita Pontes - São Paulo - SPTenho tido certos desafios com relação meu lado profissional.
Durante este ano, aceitei o cargo de “coordenadora” achando que isso seria uma grande virada e vitória na minha vida.
Aqui estou eu com só mais um mês neste cargo. Pedi demissão e só fico até o final de janeiro. Me sinto aliviada por um lado. Não vejo a hora de voltar a ser só uma professora. Por outro lado, o sentimento de derrota: “Puxa Rita! Você já está com 40 anos e ainda não se decidiu? Esta falhando novamente! Tristeza, desapontamento, decepção”
Epa! Qual é o óculos que eu estou usando? O do Medo ou o do Amor?
Decidi pelo óculos do Amor.
Na verdade, me sinto mais fortalecida e com muito mais expêriencia que a Rita do Passado!
Voltar a ser só uma professora? Que nada! Ser A PROFESSORA!
Sinto a “vontade alegre” voltando!
Vou preparar aulas maravilhosas! Tenho mais tempo e mais conhecimento!
Sinto a “confiança” voltando!
Essa é a grande virada! A certeza de que a minha missão é ensinar e eu estou cada vez melhor nisso!
Depois de tanto me oferecerem o cargo de coordenadora, eu aceitei, aprendi, e agora estou muito mais confiante!
É isso aí! Ho!
Rita Pontes - São Paulo - SPHá pouco tempo, estava no aeroporto e vi mãe e filha se despedindo.
Anunciaram a partida, elas se abraçaram e a mãe disse: "Eu te amo. Desejo o suficiente para você."
A filha respondeu: "Mãe, nossa vida juntas tem sido mais do que suficiente. O seu amor é tudo de que sempre precisei. Eu também desejo o suficiente para você." Elas se beijaram e a filha partiu.
A mãe passou por mim e encostou-se à parede. Pude ver que ela queria e precisava chorar. Tentei não me intrometer nesse momento, mas ela se dirigiu a mim, perguntando: "Você já se despediu de alguém sabendo que seria para sempre?"
"Já." Respondi. "Desculpe-me pela pergunta, mas por que foi um adeus para sempre?"
"Estou velha e ela vive tão longe daqui. Tenho desafios à minha frente e a verdade é que a próxima viagem dela para cá será para o meu funeral."
"Quando estavam se despedindo, ouvi a senhora dizer 'Desejo o suficiente para você'. Posso saber o que isso significa?"
Ela começou a sorrir. "É um desejo que tem sido passado de geração para geração em minha família. Meus pais costumavam dizer isso para todo mundo."
Ela parou por um instante e olhou para o alto como se estivesse tentando se lembrar em detalhes e sorriu mais ainda.
"Quando dissemos 'Desejo o suficiente para você', estávamos desejando uma vida cheia de coisas boas o suficiente para que a pessoa se ampare nelas."
Então, virando-se para mim, disse, como se estivesse recitando:
"Desejo a você sol o suficiente para que continue a ter essa atitude radiante."
"Desejo a você chuva o suficiente para que possa apreciar mais o sol."
"Desejo a você felicidade o suficiente para que mantenha o seu espírito alegre."
"Desejo a você dor o suficiente para que as menores alegrias na vida pareçam muito maiores."
"Desejo a você que ganhe o suficiente para satisfazer os seus desejos materiais."
"Desejo a você perdas o suficiente para apreciar tudo que possui."
"Desejo a você "alôs" em número suficiente para que chegue ao adeus final."
Ela começou então a soluçar e se afastou.
Dizem que leva um minuto para encontrar uma pessoa especial, uma hora para apreciá-la, um dia para amá-la, mas uma vida inteira para esquecê-la.
Texto enviado por Edna Stradioto - São Paulo - SP